Mau Tempo - Autarcas do Médio Tejo alertam para milhares sem energia 14 dias após tempestade Kristin

Autarcas do Médio Tejo alertaram hoje para milhares de pessoas e centenas de empresas ainda sem energia elétrica, criticando a lentidão na reposição e defendendo uma ação mais robusta nos concelhos de Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar.

“Estamos a poucas horas de completar 15 dias desde esta tempestade que arrasou os concelhos do Médio Tejo. Ainda enfrentamos muitas fragilidades, sobretudo na reposição da rede elétrica, com milhares de habitações e centenas de empresas sem energia. É urgente uma ação mais robusta capaz de resolver esta situação nos próximos dias”, afirmou Manuel Jorge Valamatos, presidente da CIM Médio Tejo e da Câmara de Abrantes.

Valamatos, ladeado pelos autarcas dos três municípios do Médio Tejo mais afetados pela tempestade — Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar —, destacou que a região vive uma realidade igualmente crítica à região de Leiria, ainda hoje, 14 dias depois, com inúmeros problemas por resolver e pouca ajuda visível no terreno.

“Mesmo respeitando que Leiria tenha sido o epicentro deste fenómeno, entendemos que há outras regiões e municípios que continuam com um grau de fragilidade muito elevado, nomeadamente estes três municípios no Médio Tejo, que sentem na pele, todos os dias, a falta de reposição da energia e das telecomunicações, um elemento devastador e central”, declarou.

“É tempo de dizer que alguém tem que tomar atenção e ouvir o que estamos a dizer, porque 15 dias é muito tempo para continuarmos com este problema do restabelecimento da rede elétrica na nossa região”, apelou.

No concelho de Ourém, o presidente da Câmara, Luís Albuquerque, detalhou que ainda cerca de 3.600 habitações, equivalentes a mais de 7 mil pessoas, permanecem sem eletricidade.

“Temos PTs que não estão operacionais, problemas na baixa tensão e a rede fixa funciona apenas a 48%, enquanto a móvel está em 81%. É inadmissível que 14 dias depois, cidadãos e empresas continuem sem luz”, afirmou.

Albuquerque explicou que o concelho registou 10 mil habitações com danos em coberturas ou anexos, e que o Parque Empresarial de Ourém contabiliza 79 empresas afetadas, com danos parciais ou totais, tendo criticado a falta de equipas no terreno.

“Reclamamos mais equipas no terreno e maior coordenação por parte das entidades responsáveis. É a economia e a vida das pessoas que está em jogo”, frisou.

O presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, reforçou a gravidade da situação: cerca de 2.500 habitantes - cerca de 35% da população - permanecem sem energia, e a rede de comunicações está praticamente inoperacional no concelho.

“Passados 14 dias, exigimos uma capacidade organizativa maior, com meios técnicos e equipas suficientes para restabelecer energia e telecomunicações. Muitas micro e pequenas empresas continuam sem apoio e correm risco de encerrar. É urgente clarificação sobre os meios no terreno e um planeamento robusto para restabelecer a normalidade”, afirmou.

Em Tomar, a vereadora da Câmara local, Sandra Cardoso, indicou que ainda cerca de mil pessoas permanecem sem eletricidade tendo elencado as prioridades ao momento.

“As quatro prioridades são restabelecer infraestruturas, apoiar a reconstrução de habitações, atender às juntas de freguesia sobre urgências e garantir assistência social. Apesar de algum progresso, dependemos de apoios externos do Governo, que ainda não chegaram na escala necessária”, disse.

O cenário social em Ourém aponta para 37 pessoas que estão realojadas e cerca de 200 tiveram que recorrer a familiares ou estruturas temporárias. Em Ferreira do Zêzere, há 29 deslocados, incluindo 19 desalojados. Os municípios destacam a necessidade de apoio psicológico e reclamam a urgência de luz e telecomunicações para cidadãos e empresas afetadas.

Também hoje, na conferência realizada na sede da CIM Médio Tejo, estiveram representantes das associações empresariais Nersant e AIP, que defenderam apoios a fundo perdido, linhas de crédito aceleradas e moratórias fiscais, reclamando a mesma atenção para as empresas situadas nos municípios do Médio Tejo afetados pela tempestade, num distrito contíguo ao de Leiria.

2026-02-11

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