Mau tempo: Câmara de Alvaiázere defende que apoio do Governo é “um bom princípio”

O presidente da Câmara de Alvaiázere defendeu hoje que as medidas de apoio do Governo às zonas afetadas pela depressão Kristin são “um bom princípio”, estimando “dezenas de milhões de euros” em prejuízos neste concelho do distrito de Leiria.

“Neste momento, nada é suficiente. Analisei com muita brevidade as medidas disponibilizadas pelo Governo. Parece-me um bom princípio. Não sei se serão suficientes, mas […] ainda não estamos nessa fase. Nós ainda estamos na fase de lutar contra esta devastação que assolou muitos territórios e também Alvaiázere”, afirmou João Paulo Guerreiro (PSD), em declarações à Lusa.

Falando no quartel dos bombeiros de Alvaiázere, o autarca disse que a primeira fase é serem acionados os seguros quanto aos danos provocados pela passagem da tempestade Kristin, na quarta-feira da semana passada, inclusive prejuízos de particulares, empresas e entidades públicas.

“Vamos perceber o que está e o que não está coberto e, depois, numa fase seguinte, vamos analisar com calma as medidas propostas pelo Governo, perceber se são suficientes”, acrescentou, considerando que é importante que o Governo esteja a preparar medidas de apoio, “porque vão ser necessárias”.

O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Questionado sobre qual o montante estimado de prejuízos em Alvaiázere, João Paulo Guerreiro respondeu que essa não é a principal preocupação do município, mas adiantou que “são imensos”, perspetivando que o valor se situe “na casa das dezenas de milhões de euros”.

“Vamos, numa fase seguinte, preocupar-nos com isso. Agora, a nossa principal preocupação é a recuperação das pessoas, que elas sintam, novamente, um regresso a uma normalidade possível, é evitar que surjam mais danos materiais nas habitações e nas empresas e também nos edifícios públicos”, referiu.

Segundo o autarca, o concelho de Alvaiázere, com 161 quilómetros quadradas de área e cerca de 6.400 habitantes, foi atingido “em mais de 95% do parque habitacional e empresarial”, e as infraestruturas públicas também sofreram “impactos muito significativos”, inclusive o centro de saúde e a Loja do Cidadão, bem como as escolas, que só irão reabrir na segunda-feira, depois de serem desobstruídas todas as vias.

Na segunda-feira, o presidente da Câmara de Alvaiázere pediu “desesperadamente apoio de bombeiros”, porque os da corporação local estão exaustos.

O pedido foi respondido com a chegada de corporações de bombeiros de Lisboa, membros do Exército e da Guarda Nacional República, o permite “ter uma capacidade de resposta mais robusta”, indicou o autarca.

“Neste momento, a nossa maior prioridade é arranjar materiais para pormos estes homens e estas mulheres no terreno a trabalhar”, referiu, relatando que existe no mercado “muita falta de materiais”.

Reforçando que é preciso reparar as coberturas danificadas, até porque se prevê chuva nos próximos dias, o autarca apelou à entrega de lonas, telhas, cordas e materiais de fixação.

Ao dia de hoje, Alvaiázere tem cerca de 25 pessoas acolhidas no pavilhão desportivo, por onde já passaram mais de uma centena, e a preocupação é que o número passar “aumentar exponencialmente devido às condições climatéricas”.

Cerca de 60% da população do concelho já tem energia elétrica e cerca de 95% do território com abastecimento de água garantido, revelou ainda o presidente da câmara, acrescentando que a retoma das comunicações está “a recuperar aos poucos”.

“Acho que uma semana depois já deveríamos estar bem melhor em termos de comunicações”, disse.

2026-02-03

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