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Ourém - Ministra da Saúde participou na inauguração do Centro de Saúde de Fátima
Após a concretização de obras de requalificação e ampliação, o Centro de Saúde de Fátima foi formalmente inaugurado na tarde desta quarta-feira e contou com a presença da Ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
A requalificação do centro de saúde de Fátima custou 1,8 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência e contempla diversas alterações nomeadamente criação de espaços de atendimento, vestiários, instalações sanitárias, sala de formação, correção de patologias nas fachadas e criação de acessos internos e externos aos vários pisos, entre outras modificações.
Após o descerrar da placa comemorativa e de uma visita às novas instalações, o Presidente da Junta de Freguesia de Fátima, Carlos Neves, iniciou o período dedicado às intervenções oficiais e destacou a importância da obra para profissionais e utentes, mas alertou que a freguesia tem ainda “cerca de 1.200 utentes sem médico de família”.
De seguida, o Presidente da Câmara Municipal de Ourém enalteceu o trabalho desenvolvido por todos os intervenientes na requalificação do Centro de Saúde de Fátima, com uma referência especial para “todos os profissionais de saúde que se adaptaram e continuaram a realizar um trabalho de excelência durante a obra”. O edil sublinhou de seguida o seu regozijo por este investimento de sensivelmente 1 milhão e 800 mil euros ter sido concluído dentro do prazo estipulado, convicto de que “vem melhorar muito a qualidade dos cuidados de saúde prestados em Fátima”. Luís Miguel Albuquerque salientou também a fundamental colaboração com a Junta de Freguesia de Fátima, entidade que cedeu o edifício requalificado em regime de comodato e está a colaborar na reabilitação do parque de estacionamento que serve a estrutura. Neste ponto, o autarca revelou que a intervenção em curso na Rua Júlio Constantino também prevê a criação de um parque de estacionamento que dará mais soluções aos utentes do Centro de Saúde.
O presidente da Câmara de Ourém, concelho que integra a Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, considerou ainda que o município tem sido sempre “muito castigado” pelas questões da saúde.
Luís Miguel Albuquerque explicou que o concelho continua “com cerca de 16 mil utentes sem médico de família”, mas “estão devidamente assistidos”, com recurso ao projeto Bata Branca (em articulação com a ULS da Região de Leiria e a Santa Casa da Misericórdia de Fátima), com sete médicos distribuídos pelo concelho e seis médicos a prestar teleconsultas.
O presidente do município defendeu ainda criação de um centro de atendimento clínico, para evitar deslocações ao Hospital de Santo André, em Leiria, e de uma USF, ambos no centro de saúde na sede do concelho.
Ana Paula Martins encerrou as intervenções oficiais e respondeu de imediato ao Presidente da Câmara, com a garantia de que tudo fará para que “em breve seja possível constituir a USF de Ourém, porque isso fará toda a diferença para comunidade”.
A governante deixou um elogio “à Junta de Freguesia e ao Município pela dedicação ao projeto, assim como ao concelho de administração da ULS de Leiria pelas soluções encontradas para dar uma resposta eficaz às pessoas”. Deixou também um agradecimento a toda a equipa multidisciplinar que compõe o Centro de Saúde de Fátima, certa de que “as boas práticas desenvolvidas em Ourém inspiram outras unidades locais de saúde para encontrar as respostas mais adequadas, apostando na prevenção e num acompanhamento de proximidade mais eficaz”.
A Ministra da Saúde lembrou que o novo Centro de Saúde de Fátima integra a Unidade de Saúde Familiar de Fátima e a Unidade de Cuidados de Comunidade de Cova de Iria, que entre outros cuidados inclui gabinete de medicina dentária, equipas de cuidados integrados e o departamento de saúde pública, “colaboração essencial para fortalecer o nosso sistema de saúde”.
A ministra da Saúde disse que o Governo não vai conseguir atribuir médico de família a todos os utentes até 2027, justificando com o facto de estarem a inscrever-se “todos os dias” novas pessoas nos centros de saúde.
“Para nós, Governo, atribuir um médico de família a todos os utentes é, de facto, uma ambição. Não o conseguimos até agora, não o vamos conseguir em 2027, porque todos os dias temos pessoas a inscreverem-se, todos os dias temos pessoas novas que chegam até nós, que vêm trabalhar connosco em Portugal”, afirmou Ana Paula Martins.
Ana Paula Martins realçou a colaboração entre os poderes local e central, “essencial para fortalecer o sistema de saúde", reconhecendo, contudo, que, em matéria de delegação de competências da área da saúde para as autarquias, "há ainda um aperfeiçoamento, uma recalibração que a tutela tem de fazer" para que essa transferência seja "virtuosa e não seja apenas uma transferência de responsabilidades sem as devidas contrapartidas”.
“E não falo só das contrapartidas de natureza financeira, naturalmente que essas são relevantes, mas falo também daquilo que são as contrapartidas sob o ponto de vista da decisão, sob o ponto de vista de fazerem parte do desenho e da organização que nós queremos dar aos cuidados de saúde”, adiantou.
Questionada pelos jornalistas se em 2028, 2029 ou 2030 pode assegurar o cumprimento desta promessa, Ana Paula Martins garantiu que a ambição de atribuir médico de família a todos os utentes “nunca vai cair”.
“Todos os anos estamos a conseguir ter mais utentes com médico de família, (…) mas também todos os anos e todos os meses temos novos utentes a inscreverem-se no Registo Nacional de Utentes”, declarou.
Referindo que esta é uma obra que tem de continuar, “não só por via da constituição de unidades de saúde familiar [USF] modelo B”, que são mais atrativas para os profissionais e “porque são aquelas que têm demonstrado ter melhores resultados para as pessoas”.
A governante adiantou que “há outras possibilidades”, como, por exemplo, o projeto Bata Branca, que garante consultas a utentes sem aqueles profissionais, numa colaboração entre unidades locais de saúde, misericórdias e autarquias.
2026-03-26